A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que os pais não são capazes de assumir a educação sexual dos seus filhos. Por isso, e para garantir níveis homogêneos de educação, a OMS elaborou o documento “Padrões para a educação sexual na Europa”, que institucionaliza a ideologia de gênero nas escolas e negocia a moral na educação.

Para compreender os pressupostos antropológicos desses padrões, é essencial ler as páginas introdutórias.

No começo do texto, usa-se uma terminologia enganosa. Fala-se de educação sexual “holística”, um termo belíssimo, porque (dado que “holístico” significa “unitário”) traz à mente a ideia de que tal educação se inserirá em uma visão unitária da pessoa humana, na qual a sexualidade é um aspecto fundamental, mas não independente.

Na verdade, a OMS utiliza o termo “holístico” de outra forma: “um enfoque holístico, baseado no conceito de sexualidade como um âmbito do potencial humano, ajuda crianças e adolescentes a desenvolver habilidades, a fim de capacitá-los a autodeterminar sua sexualidade e seus relacionamentos nos vários estágios de desenvolvimento. Um enfoque holístico permite que crianças e adolescentes possam viver a sexualidade e as relações íntimas de forma gratificante e responsável ao mesmo tempo”.

Encontramos, portanto, que na base da educação sexual da OMS há uma ideia de sexualidade entendida como “potencial”, ou seja, uma sexualidade que será determinada por cada sujeito.

Nós sempre acreditamos que Deus criou o ser humano como homem e mulher. Portanto, o homem não escolhe ser homem ou mulher, mas o é por natureza. Este fundamento da sexualidade faz parte da humanidade desde sempre, também independentemente das crenças religiosas, mas hoje já não é aceito como um dado real, mas negado pela visão sexual moderna.

Ser homem ou mulher não é mais o resultado de uma realidade que é dada, mas resultado de uma escolha. Os pressupostos deste documento, portanto, são os da ideologia de gênero.

O objetivo desta visão holística também é a criação de uma sociedade equitativa, que deve aprender a aceitar todos os tipos desexualidade, inclusive, evidentemente, a homossexualidade. Este é o relativismo ético segundo o qual cada escolha é boa e deve ser respeitada, sempre que for uma escolha livre.

Em outra parte muito interessante do documento, afirma-se que, “nos países da Europa Ocidental, a introdução da educação sexual nas escolas coincidiu, em grande medida, com o desenvolvimento e a generalização do acesso aos anticoncepcionais modernos e fiáveis, em particular a ‘pílula’, assim como a legalização do aborto na maioria dos Estados nos anos 70 e 80. Estas inovações abriram novas oportunidades para separar a sexualidade da reprodução, dando passo, nos anos 70, à ‘revolução sexual’ e, junto a outros fatores, impulsionaram o processo de emancipação da mulher”.

Observa-se, portanto, um segundo ponto, que é a separação entre sexualidade e possibilidade de procriação. A mulher se emancipa quando consegue viver sua sexualidade sem o risco de ficar grávida.

Nós não podemos apoiar esta forma de pensar. De fato, a sexualidade, além de ser dada pela natureza, tem nela mesma, na relação sexual, a possibilidade de uma nova vida. Este fato está presente por “natureza”.

A visão moderna da sexualidade busca separar-se da natureza, isto é, da realidade original, já presente não só na diferenciação entre homens e mulheres, mas também na possibilidade da procriação.

Parece claro que, se os pressupostos são errôneos, também as consequências estarão equivocadas.

É interessante pensar em recuperar este aspecto da educação dos filhos, que provavelmente havíamos esquecido e que não podemos delegar a ninguém, nem à escola nem, muito menos, à OMS.

(Artigo de Paolo Pesce, publicado originalmente pelo Observatório Internacional Cardeal Van Thuan)