Por D. Nuno Brás

Não admira que o nosso modo de viver se dê mal com a proposta cristã

O nosso tempo vive de mínimos. Viver com “um mínimo de entendimento” significa procurar viver pacificamente, sem problemas. E é, também, a forma de cada um viver numa suposta “normalidade” e, ao mesmo tempo, não ser incomodado por ninguém: cada um vive como quer e ninguém se deve preocupar. Aliás, esse modo de viver é olhado como “civilizado”. Doutros tempos (supostamente menos civilizados) ficaram as lembranças da preocupação com o outro que vive ao lado, as relações de vizinhança e proximidade. Mas este tempo de mínimos é, também, o modo de construir pouco, de não deixar marcas, de sobreviver, de aceitar a mediocridade, de não arriscar qualquer transformação. Nem sequer é sensatez, é simples falta de vontade. É certo que existem ainda alguns heróis, alguns magnatas que construíram impérios de curta duração, jogadores de futebol que passados alguns anos caem no esquecimento, estrelas do espetáculo que conseguem um ano de fama. Mas são poucos, e as suas construções depressa desmoronam, arquivadas hoje em velhos computadores mais ou menos irrecuperáveis.

Não admira que o nosso modo de viver se dê mal com a proposta cristã. É que aqui encontramos a “medida alta”, aquela que não nos vem do homem que procura Deus mas do Deus que procura o Homem, que se faz Homem com um único objectivo: dar a todos a possibilidade de viver a vida divina. Nem sequer é a “medida alta” — é a medida máxima. Não nos confrontamos com homens bons, nem sequer com heróis: apenas o céu é a medida, a meta.

Tudo isto seria uma razão para desistir do cristianismo: o objectivo parece grande demais para cada um e para todos. Humanamente, parece ter mais a ver com loucura ou sonhos utópicos. Só que o Amor de Deus ultrapassa essas barreiras e, ao contrário daquilo que acontece com os sonhos e as ideias humanas, vai transformando não um mas muitos – uma multidão imensa que ninguém consegue contar – à medida daquele que é o Deus feito Homem: Jesus de Nazaré. Desejar o céu não é utopia: é a vida que Deus nos oferece em cada dia que passa. Essa é a razão da nossa alegria.

Fonte: www.aleteia.org