Esta é a breve história de Charles Charles ‘Chuck’ Feeney Charles ‘Chuck’ Feeney Chuck’Chuck Feeney, o empresário norte americano fundador da Dutty Free – lojas internacionais em aeroportos – agora perto de completar 70 anos e que até 14 anos atrás, fevereiro de 1997, mesmo sendo bilionário, era praticamente desconhecido no pequeno mundo de bilionários de seu país. E a verdadeira face de sua vida só veio à tona por acidente, ao vender sua parte da Dutty free  Shoppers Group, (DFS) por “um bilhão e seiscentos milhões de dólares” a um grupo francês.

Na verdade pouco se sabe dele. Mas este pouco basta para que consideremos Feeney, neste início de milênio, o empresário mais feliz do mundo.

Ele foi criado em Elizabeth, New Jersey, modesto subúrbio de classe média americana e chegou à cidade de Cornell, vendendo sanduíches porta a porta,  nas fraternidades(Clubes sociais).

Vive modestamente,  com apartamentos em três locais distintos: Manhattan, Califórnia e Irlanda. Como presidente da sua Fundação, recebe anualmente um salário inferior a um milhão de dólares. Para a revista Forbes é pouco, comparado com os salários pagos por outras Fundações a seus presidentes.

O valor da venda da DFS chamou a atenção do maior jornal norte-americano, “New  York Times”, a quem então, quebrando um princípio preservado durante toda a sua vida, Feeney aceitou ser entrevistado para uma história de primeira página  “desde que a foto – que virou capa – fosse apenas desenhada.”

Assim o mundo ficou sabendo que: “Charles Feeney virou milionário, mas doou silenciosa e secretamente, quase toda a sua fortuna para uma fundação de caridade que ele criou. Incluindo outras doações, Mr. Feeney deu inicialmente $500 milhões de dólares para a fundação. Somando todas as doações feitas até hoje, supera um (1) bilhão de dólares. Sua fundação contribui com diversas outras organizações, mas é importante frisar que todas elas tem que passar pelos mais rigorosos processos de auditoria existentes.”

Os poucos fatos revelados sobre sua carreira mostram um típico trabalhador duro, simples e discreto. Ele é conhecido entre amigos como aquele que não voa de primeira classe, lancha nos bares de café e usa um  relógio de $15 dólares. Um amigo de Feeney relembra quando ele estava para ir a um jantar de alta classe usando uma simples blusa de frio, até alguém dizer-lhe que isso não era o jeito de não chamar a atenção dos outros. Então ele, aborrecido,  pegou o paletó, mas teve que pedir emprestado a gravata borboleta de um garçom, ao chegar a vez de seu discurso. É tão avesso à aristocracia que sequer vai a restaurantes que obriguem o uso  de gravata.

Muito antes disso, Feeney doara um (1) milhão de dólares para um tradicional programa da TV americana “O milionário”, mas exigiu o anonimato.

Ao analisar a reportagem, Thomas Troyer, especialista em leis americanas de filantropia, disse: “Eu nunca vi coisa igual, poucos americanos têm dado $500 milhões de dólares. Alguns tem até doado mais, porém são bem mais velhos e tem patrimônio bem maior. Feeney doou desde quando era novo e tendo menos que muitos.”

Segundo amigos entrevistados pelo NYT, ele fez sua fundação sem nenhuma intenção de levar crédito pelo que faz. Eles garantem que na verdade, seu patrimônio pessoal nunca passou de $5 milhões de dólares. E completam, “Charles Feeney não se considera muito religioso, mas se dedica à caridade com tanto afinco quanto se dedicou aos negócios que o tornou um bilionário.”

Segundo seus assessores, Feeney considera que “ter coisas em grandes quantidades é um vício americano, mas as pessoas precisam só do que de fato precisam.”

Segundo Donald Keough, chairman do Allen & Company, “Charles Feeney vai acabar suplantando famosos bilionários pelas doações, como o próprio Rockefellers.

Relutando com dificuldade Feeney foi arrastado pelas luzes da fama, mas mesmo assim foi salvo pelo erro da TV Networ, que divulgou a foto de outro milionário em lugar da sua.

O repórter do jornal perguntou se ele não estava nervoso por conceder sua primeira entrevista. Ele brincou: “Não, me prometeram 20 dólares por ela, (rs).” E os seus parentes não estão chateados por ele doar tanto dinheiro, eu mesmo posso ver que ele está rodeado do orgulho da família.”

Ao falar em público ele parece até inseguro, pois não tem o hábito de aparecer. E lembrou sorridente um caso ocorrido com um professor: “Num dos cursos de administração que fiz, eu peguei o meu trabalho de volta com uma nota do professor. Ele dizia que eu tinha jeito para escrita, mas nenhum conhecimento da matéria (negócios). E me sugeriu, “considere jornalismo.””

Ao final das entrevistas, todos os milionários saem em suas limosines. Feeney apenas põe uma velha capa de chuva cinza e um boné irlandês, e sai caminhando.

(Tradução da matéria de Maureen Dowd – 26.11.97 – The New York Times Company)

Releitura:

Feeney criou uma Fundação para ajudar pessoas e países carentes – Fundaão Atlântica de Filantropia – sob o lema que espera ser seguido por outros bilionários e que certamente influenciou Bill Gates e outros: “Dar Enquanto se está vivendo”. Em 1997, a RTE, o serviço de televisão irlandesa, exibiu um documentário de TV, ‘O Segredo Bilionário’ focado na vida deste homem extraordinário.

Um exemplo classico é a  biblioteca da Universidade de Limerick, Dublin, Irlanda. Seu custo foi estimado em 44 milhões de Euros.Sir Anthony O’Reilly doou 4 milhões para que ela levasse seu nome. Charles Feeney doou 10 milhões de Euros e exigiu sigilo absoluto. Em 1999 Sir Anthony ficou sabendo de onde veio a maior parte dos recursos e então pediu que não colocassem seu nome na biblioteca.Segundo ele “ninguém usa mais de um par de sapatos por vez”. Charles ‘Chuck’ Feeney

Portanto, de um homem capaz de gerar uma riqueza superior a 1 bilhão de dólares sem jamais permitir que seu patrimônio pessoal cresça, doando sempre seus lucros, e que é, ao mesmo tempo, avesso a qualquer publicidade ou vaidade, mas espontaneamente obssecado pelo ato de fazer caridade, é sem dúvida o empresário mais feliz do mundo.