O padrão do ódio sempre se repete partindo de grupos minoritários que se apegam ao poder.

A força do ódio e suas consequências desencadeiam a maior parte dos conflitos da sociedade atual. Basta dar uma olhada em nosso panorama nacional e internacional ou prestar atenção nos discursos do nosso contexto sociopolítico para constatar que o ódio se instalou em nossa maneira de viver.

O ódio não é a melhor maneira de responder. Situar o ódio em seu contexto e denunciar sua dinâmica ajuda a desfazer seus mecanismos.

Quando o ódio se instala no coração de uma sociedade ou de um grupo, então é sinal de que a ideologia alcançou sua maior vitória. Toda ideologia pode perder ou ganhar uma eleição, pode ser geradora de um amplo bem-estar ou de deterioração econômica, mas, sem o ódio como principal ferramenta, ela está destinada ao fracasso.

Grande parte deste ódio surge em um contexto social e histórico complexo, e tem como agentes fundamentais os grupos que pretendem manter-se no poder ou os que o almejam. É muito raro que surja como sentimento espontâneo em um coletivo.

Em geral, o ódio é um produto que beneficia os interesses de uma minoria. O padrão do ódio se repete sempre partindo de grupos minoritários que se apegam ao poder e usam qualquer meio para propagá-lo entre seus seguidores. Por exemplo, o nacional-socialismo alemão era conduzido por um grupo minoritário que, usando discursos, propaganda oficial e ideologia, justificou a violência e a guerra, por meio do ódio, a todos os seus adversários. O próprio Che Guevara dizia que “um povo sem ódio não pode triunfar sobre seus inimigos”.

Frequentemente, o ódio tende a usar a imagem de “um mundo justo e melhor”; assim, parte de juízos de valor que permitam justificar a exclusão e inclusive a perseguição. A falsa informação, a insegurança e a ambiguidade servem para confundir as fronteiras entre a verdade e a realidade, entre o bem e o mal.

Dessa forma, um grupo concebe o outro como errado, como inimigo. Evidentemente, neste contexto, é impossível entender que o outro tem suas causas justificadas e que deve ser reconhecido em seus justos direitos.

Outro instrumento que serve para propagar o ódio é despertar o desejo de vingança. Isso pode acontecer quando um grupo proclama reivindicar os direitos dos excluídos e marginalizados e, assim, justifica a perseguição a outros, que se tornam vítimas do ódio.

Sob estas duas dinâmicas que geram o ódio esconde-se a realidade da avareza e da cobiça, que buscam gerar benefícios rentáveis, presentes ou futuros, para esses grupos minoritários.

Quando o ódio desata a violência, suas consequências são imprevisíveis. Nenhum grupo pode prever o destino que a violência vai gerar. O ódio e a violência se alimentam mutuamente. Por isso, é urgente acabar com o mecanismo do ódio.

Fonte: www.aleteia.org