Blog – Quando sinto início de gripe, tomo um chá tradicional de minha família. Quando sinto sintoma de diarréria, uma única goiaba verde resolve, isso em 99% dos casos, e caso não, então farmácia ou médico. Garganta inflamada, três gargarejos de folha de caju fervida com sal “tira com a mão”, instantâneo… E nos velhos tempos do garimpo, um amigo exigia que seus funcionários engolissem um pequeno pedaço de alho cru no almoço e na janta, e segundo ele, nenhum, ao longo dos 3 anos de balsa no Rio Madeira, pegou malária. Abaixo, uma matéria mais completa, que pode ajudar a simplificar e baretar a cura das doenças mais corriqueiras.

 

A MATÉRIA

Você sabe usar as plantas medicinais para o combate da gripe e do resfriado?*

Dores de cabeça, garganta irritada, coriza, tosse, fraqueza e aquela vontade de ficar embaixo das cobertas. Esses são alguns dos sintomas da gripe e do resfriado, comuns nesta época do ano. Uma das alternativas, além de procurar o médico e ir a uma farmácia, é utilizar as plantas medicinais – presentes no cotidiano das pessoas principalmente pela diversidade ecológica – para o auxílio e tratamento desses sintomas gripais. Mas você sabe usá-las adequadamente?

 

A voluntária e agente da Pastoral da Saúde de Criciúma/Região Sul 4 Melânia de Mattia Pierini informa as plantas utilizadas pela Pastoral da Saúde para bronquites, gripes, resfriados e tosse (problemas pulmonares), todas elas contempladas na Renisus (Relação de Plantas Medicinais de Interesse para o SUS). Conforme ela há uma lista que orienta estudos e pesquisas para subsidiar a elaboração de catálogo de plantas medicinais e fitoterápicas a serem disponibilizados para uso da população. São elas: abacaxi, amora, folha da fortuna, gengibre, mastruço, picão-preto; salsa, tansagem, alho, guaco, hortelã-pimenta, hortelã, menta e eucalipto. As últimas quatro plantas já são validadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para vários problemas respiratórios.

 

Ela ressalta que antes de usar qualquer planta a pessoa deve conhecer bem para preparar o chá e certificar-se para que realmente é utilizada. “Se for adquirida seca e embalada é bom verificar a coloração. Não pode estar torrada ou escurecida, tem que apresentar um aspecto novo e não esqueça do tempo de validade. Já na coleta da planta, o importante é observar se não apresentam fungos, ferrugens e se as folhas estão realmente propícias para o devido fim”, completa. Melânia destaca ainda que o mesmo chá não pode ser utilizado mais do que sete dias.


Cuidados com as plantas:

Outro aspecto que se deve tomar cuidado ao utilizar as plantas medicinais é em relação a sua correta identificação botânica, isto é, é preciso nomear as plantas medicinais pelo seu nome científico. “O nome científico da planta é como se fosse o nosso CPF, não tem erro, ao passo que o nome popular da planta é como se fosse somente nosso primeiro nome. Quantos Paulos, Marias, Pedros, você conhece? Vários, assim são as plantas, uma mesma planta pode ser conhecida e ter mais de 30 nomes populares e plantas diferentes pode ter o mesmo nome popular. É aí que ocorre toda a confusão e até mesmo casos de intoxicação e óbito pelo uso equivocado de plantas medicinais”, comentou Ângela Rossato, coordenadora do curso de Farmácia da Unesc.

 

Conforme ela, a correta identificação botânica é importante, pois é através dela que se tem acesso aos diversos estudos científicos e às informações validadas sobre as plantas medicinais. Por exemplo, o *Rosmarinus officinalis* L., popularmente conhecido como Alecrim. Já se sabe que não pode ser utilizado por mulheres grávidas, aliás nenhuma planta medicinal é recomendada para mulheres grávidas, pois não há evidências da sua segurança ao feto, muito pelo contrário, na sua grande maioria comprometem a gestação.

 

As plantas medicinais também não são isentas de contraindicações, claro que bem menos se comparado com os medicamentos sintéticos, como exemplo a *Mikania glomerata* (Guaco). Sabe-se, por exemplo, que esta planta pode interferir na coagulação sanguínea, e em doses acima das recomendadas pode provocar vômitos e diarreias. “Também devemos ter cuidado com relação às interações medicamentosas. A *Mikania glomerata* deve ser usada com cautela quando o paciente estiver em tratamento com corticóides e anti-inflamatórios, e não deve ser utilizada por pacientes que estejam em tratamento com anticoagulantes, pois as cumarinas presentes na planta podem potencializar seus efeitos e antagonizar o efeito da vitamina K, com risco de hemorragia para o paciente”, enfatizou Ângela.

 

No entanto, essas informações valem somente para a *Mikania glomerata*, pois somente este “Guaco” foi estudado, mostrando mais uma vez a importância do nome científico da planta, porém isso não significa que os outros Guacos não tenham contraindicações, elas apenas não foram estudadas. “Por isso é muito importante escolher plantas medicinais validadas, pois os estudos garantem seu uso seguro, racional e podemos ponderar riscos e benefícios”, alerta.

 

Neste sentido, a Unesc, mantém desde o ano 2000 um projeto de extensão em parceria com a Pastoral da Saúde da Diocese de Criciúma (SC), Regional Sul IV. É realizada capacitação com os acadêmicos e desenvolvidas pesquisas em bibliografias e sites científicos sobre as plantas medicinais. Paralelamente ocorrem encontros mensais com as agentes da Pastoral da Saúde interessadas em trocar experiências sobre taxonomia (classificação) cultivo e uso terapêutico das plantas medicinais.

 

O projeto conta com mais de 60 plantas estudadas que resultaram na elaboração de seis apostilas e pesquisas acadêmicas. A troca de informações, segundo Ângela, se multiplica na comunidade de Criciúma e região por meio da prática e do convívio comunitário das agentes da Pastoral da Saúde, que participam dos encontros mensais, e estas repassam as informações às demais agentes integradas à Pastoral da Saúde. Na Universidade o conhecimento gerado durante os encontros se materializa por meio da participação dos professores, acadêmico-bolsistas e voluntários, projetos de pesquisa e acadêmicos.


Confira as plantas para cada sintoma, segundo informações da Pastoral da Saúde:


Bronquite – Abacaxi, alho, amora, bagas de gravatá, gengibre, guaco, mastruço, picão-preto e tansagem.

Gripe – Abacaxi, alho, casca de banana, cebola, erva-doce, eucalipto, falsa pulmonária, folha da fortuna, guaco, gengibre, hortelã, limão, mastruço, sabugueiro, salsa e tansagem.

Resfriado – Alecrim, eucalipto cheiroso, gengibre, falsa pulmonária, limão, mastruço, pariparoba, sabugueiro, salsa e violeta.

Rouquidão – Alho, gengibre (colocar na boca e mascar o equivalente ao tamanho de uma unha).

Tosse – Amora, alecrim, casca de banana, cordão de frade, gengibre, guaco, mastruço, picão preto, quitoco e salsa.


Fonte:  diarionews.com.br (E manchete do Diário do Amazonas)


NESSE TEMA, MATÉRIA EXCELENTE FOI FEITA PELA EDITORA ABRIL EM 2008, MAS SEMPRE VÁLIDA:

Seis receitas de chás que curam

Fórmulas fáceis de fazer em casa ajudam a combater a dor de estômago e outras doenças

Carolina Hungria

Especialistas em nutrologia concordam em um ponto, sempre: tomar chás diariamente faz bem para a saúde. E algumas fórmulas são ótimas para combater doenças do dia a dia, como dores de estômago e gripe. Confira abaixo sete fórmulas preparadas pela nutróloga Vanderli Silva, de São Paulo.

Para curar problemas no fígado

Carqueja ajuda a curar o fígado

1 litro de água
1 colher de sopa de folhas de alcachofra
1 colher de sopa de folhas de jurubeba
1 colher de sopa de folhas de pariparoba
1 colher de sopa de folhas de carqueja
1 colher de sopa de folhas de boldo

Para curar dor de estômago, gases e gastrite

Camomila para acalmar o estômago

1 litro de água
1 colher de sopa de folhas de espinheira-santa
1 colher de sopa de folhas de hortelã
1 colher de sopa de folhas de casca de zedoária
1 colher de sopa de folhas de camomila
1 colher de sopa de folhas de funcho

Como preparar os dois chás:
Depois de ferver a água, desligue o fogo e despeje as ervas. Tampe por cinco minutos. Após esfriar, coe. Tome uma xícara de chá quatro vezes ao dia, antes do café-da-manhã, do almoço, do jantar e de dormir.

Para curar a gripe

Hortelã para curar a gripe

1 litro de água
1 colher de sopa de folhas de eucalipto
1 colher de sopa de folhas de sabugueiro
1 colher de sopa de folhas de alfavaca
1 colher de sopa de folhas de hortelã
1 colher de sopa de folhas de guaco
1 colher de sopa de folhas de poejo
Mel

Para curar a dor de garganta

Sálvia protege a garganta

1 litro de água
1 colher de sopa de folhas de alcaçuz
1 colher de sopa de folhas de alfavaca
1 colher de sopa de casca de sucupira
1 colher de sopa de mastruço
1 colher de sopa de folhas de sálvia
1 colher de sopa de folhas de tanchagem
1 colher de sopa de folhas de jequetiba
1 colher de sopa de folhas de malva-branca
Mel

Como preparar os dois chás
Ferva a água. Em seguida, acrescente todas as ervas e deixe ferver por mais 15 minutos. Desligue o fogo, abafe e deixe amornar. Coe e adoce com mel a gosto. Beba uma xícara de chá de quatro a cinco vezes ao dia.

Para cuidar do colesterol alto

Graviola ajuda a combater o colesterol

1 litro de água
1 colher de sopa de folhas de alcachofra
1 colher de sopa de sementes de urucum
1 colher de sopa de folhas de carqueja
1 colher de sopa de folhas de graviola

Como fazer
Leve a água ao fogo até ferver. Em seguida, despeje uma xícara de chá das ervas misturadas e deixe ferver por mais cinco minutos. Desligue e tampe por 20 minutos. Beba uma xícara de chá, quatro vezes ao dia.

Para curar a cólica menstrual

A maçã combate a cólica

1 litro de água
1 maçã inteira cortada em cubinhos
1 colher de sopa de folhas de hortelã
1 colher de sopa de folhas de funcho
10 folhas de louro
1 colher de sopa de folhas de camomila
1 colher de sopa de folhas de erva-de-são-joão

Como fazer
Após ferver a água, desligue o fogo, despeje a maçã e as ervas, tampe e deixe descansar por 20 minutos. Tome uma xícara de chá cinco vezes ao dia, com intervalos de, no mínimo, 1h30 entre cada ingestão.