Soluções simplistas: a “porta” que devemos evitar!

Os capítulos 5,6 e 7 de São Mateus são como que a “carta magna” da evangelização. Ali o evangelista sintetizou a doutrina cristã, especialmente a moral. Essa tem como base o princípio, a “dignidade humana”, pois o homem é imagem de Deus. Essa moral fixa que “os meios não justificam os fins”, não se pode fazer o bem por um meio mal. Por isso, Jesus manda “entrar pela porta estreita”. Não se pode, por exemplo, usar um dinheiro roubado para fazer caridade com ele.
Há sempre duas maneiras de solucionar um problema. Muitos erros e sofrimentos acontecem porque queremos dar soluções fáceis e rápidas para problemas difíceis. Quanto mais fácil o problema, tanto mais difícil será a sua solução, pois não há solução fácil quando o problema é difícil. Mas estamos cheios de “soluções fáceis”, que, em vez de solucionarem os problemas, os tornam ainda mais graves.

Há sempre duas maneiras de solucionar um problema: a primeira será “fácil”: improvisada, rápida, cômoda, sem sacrifícios, imoral. A segunda será “difícil”: demorada, planejada, árdua e dispendiosa. A segunda maneira de se resolver um problema será eficaz e duradoura; a primeira, inócua e falsa. É fácil, por exemplo, retirar o pobre da rua, é difícil retirar a miséria do pobre e promovê-lo. É fácil limitar o número de nascimentos, esterilizar homens e mulheres em massa como se fossem animais; assim como é fácil distribuir pílulas, camisinhas, oferecer o aborto, a eutanásia… e uma série de “soluções fáceis e rápidas”, desumanas e imorais. É mais difícil ensinar as pessoas sobre o emprego moral do sexo e o valor da castidade.

A sabedoria popular já aprendeu que “o barato sai caro” e que “a pressa é inimiga da perfeição”. A Igreja não cai nessa cilada. As soluções sérias são eficazes e duradouras; geradas no sofrimento, na oração, na paciência, nas lágrimas, no diálogo, na compreensão, entre outros. Mas o homem moderno é apressado, materialista, consumista e hedonista, quer resolver todos os problemas de maneira rápida, com soluções imediatistas, atropelando o tempo, a moral, os costumes, a Fé e o próprio Deus. Por fim, ele se dá conta que correu em vão.

Acostumado a lidar com as coisas, a técnica e as máquinas, o homem de hoje se esquece de que ele é dotado de um alma transcendente e imortal. O Papa Beato João Paulo II nos ensinou que as soluções propostas por Cristo, para os graves problemas da humanidade, são difíceis, mas jamais decepcionam. Jamais eu vi alguém chorar porque viveu os preceitos do Evangelho, mas eu já vi muita gente chorar porque não quis vivê-los. Então, entrai pela porta estreita, é a porta da vida!

Por: Prof. Felipe Aquino